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 16/10/2005 a 22/10/2005


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Palpitando
 

Que tempo bom, que não volta nunca mais....

Já fui a quase todos os clássicos entre os 4 grandes de São Paulo. Só não consegui, ainda, assistir um Santos e Corinthians. Já vi tanto o Morumbi quanto o Palestra Itália lotados, divididos entre 2 grandes torcidas. Já vi o Morumbi com mais de 120 mil pessoas em jogos da seleção e da libertadores. Arrepia só de lembrar... Lembro do tempo em que os amortecedores não tinham sido colocados sob o anel superior. Aquilo tremia que dava medo. Mas era lindo. Lembro me das diversas vezes que ouvi os hinos Nacional e do São Paulo cantados por todos com fervor. Lembro dos gritos de “Luis Fabianoooo”, “Raí, Raí, o terror do Morumbi”, “Ole, ole, ole, ole, Telê, Telê”, “Ooooo é tricolor” e outros tantos. Lembro-me de campeonatos ganhos e perdidos, de heróis e vilões sendo criados na minha frente. Como o futebol é maravilhoso.

E como tem gente maldita acabando com ele. Faz mais de 10 anos que este negócio de violência entre torcidas nos atormenta. O pior, é que parece filme de sessão da tarde, a mesma história, os mesmos atores e a mesma porcaria no final. Os grandes comandantes das torcidas continuam os mesmos, o promotor falastrão e cheio de idéias “geniais” também e a cena do velório cheio de “manos” querendo vingar o “nosso irmão” também. O que muda é o protagonista, o jovem, invariavelmente jovem, que vai perder a vida no final da história. Não interessa se ele era da paz, inocente ou mais um bandido travestido de torcedor organizado. Hoje é mais um cadáver. Mais um mártir para que todos aprendam que futebol e briga não combinam. E todos são burros demais, pois faz mais de 10 anos que não aprenderam nada...

Aí vem um bando de oportunista sugerir o que se faça jogos de portões fechados, que os torcedores vão ao estádio sem camisa do time, que só vá uma torcida nos clássicos. Isso me lembra uma daquelas historinhas engraçadas. O sujeito entra em casa e pega a mulher dando uma com o vizinho em cima do sofá. Sabe o que ele faz? Joga o sofá no lixo... Será que ainda não perceberam que as brigas acontecem quase sempre nos mesmos lugares? Será que já não deu para traçar o perfil dos marginais nem mapear suas possíveis ações? Será que ainda acreditam que as torcidas rivais vão para o estádio se vêem e dizem: “Olha, mas se não é você por aqui... Que surpresa! Vamos brigar?” Dá um tempo...

Algumas coisas têm que acontecer, e rápido. O fim das torcidas organizadas, a responsabilização de seus dirigentes pelos atos delas, o fim da impunidade, isto tudo todos sabemos. Agora, outras coisas também são necessárias. Um melhor serviço de inteligência para antever certos encontros marcados, um calendário que dê tempo para a polícia se preparar para cada jogo e cada tipo de rivalidade, um cuidado maior de certos setores da imprensa esportiva na preparação de climas hostis para clássicos, um maior cuidado de jogadores, treinadores e dirigentes com declarações “inflamatórias”, enfim, muita coisa tem que mudar. A primeira delas, na minha opinião, é ficar em casa, acompanhar o jogo pela TV ou pelo rádio e esperar os marginais deixarem o futebol ser alegria de novo. Se acredito nisso? Nem eu mesmo sei mais....

Escrito por André Albertini às 21h19
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SIM ou NÃO - parte 2

Só para não ficar em cima do muro, aí vão meus motivos para votar SIM:

 

-          Primeiramente, como cristão tenho por princípio defender a vida. "Bem aventurados os que lutam pela paz, porque serão chamados filhos de Deus". (Não quero levar isso para o lado religioso, sei que muitos cristãos são favoráveis ao não e nem por isso são menos cristãos, esse é MEU ponto de vista)

-         Quanto menos armas, menos violência e menos mortes, é simples.

-         Eu me conheço e sei que não sou o único com gênio forte nesse país. Sei o risco que existe numa arma em determinadas situações.

-         Arma e cidadão de bem não combinam.

-         Ter uma arma em casa quando for assaltado, normalmente, não garante muita coisa. O bandido tem muito mais sangue frio e, principalmente, muito menos a perder.

-         Normalmente, quem dá um tiro no outro no trânsito ou numa briga de bar não é bandido. Bandido não seria burro o suficiente pra se queimar por causa de besteira.

-         Adoro estatística, mas nesse caso ela não servem de nada. Se X% da população gosta de tomar uma cerveja e não a outra, azar dela. Agora, se 1, 5, 10 ou n % da população morre por arma de fogo legalizada, falamos de vida. Uma vida vale mais que o mundo inteiro, se esse referendo salvar um, já valeu...

-         Não, o governo não está usando o referendo para abafar a corrupção. Tem gente precisando assistir menos séries de detetives...

-         Não sou alienado. Sei que esse é apenas UM dos milhares de passos rumo a uma sociedade menos perigosa. Mas, é preciso dar um passo de cada vez.

-         Não, não acho que votará NÃO um idiota, conservador, manipulado, violento e mau caráter. Cada um, cada um.

-         E agora, sendo um pouco radical, pra mim arma é coisa de polícia, exército e ladrão. (Ta bom, esse argumento não vale...)

 Isto posto, devo admitir que existem alguns pontos de defesa do NÃO que são pertinentes. Porém, os seus defensores que os exponham.  Os comentários estão abertos para TODAS as opiniões.



Escrito por André Albertini às 21h50
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SIM ou NÃO ???? - parte 1

Já estou a algum tempo postergando um texto sobre o referendo do desarmamento. Foi bom, pois puder ler, ver e ouvir diversas opiniões e, sinceramente, fiquei em dúvida sobre o referendo. Não, não tenho dúvidas em votar no SIM, isto para mim é inegociável. O que me deixa em dúvida é se o povo está realmente preparado, ou melhor, se está sendo bem orientado e direcionado para esse negócio de referendo.

Este é um dos modos de democracia DIRETA, o povo decide por SEU voto, não pelo voto de pessoas que este elegeu. Países como a Suíça são governados através de diversos referendos, o que mostra uma maturidade político-social-ideológica muito grande da população. As propagandas de ambos os lados e as opiniões da maioria das pessoas vêm me assustando. 

O Brasil é um país apaixonado por esportes, principalmente o futebol. Não basta seu time ganhar, o do outro tem que perder. Não existem adversários, existem inimigos. Este sentimento foi trazido para a política e para este referendo. Os defensores do SIM “diabolizam” os do NÃO, dizem que são adeptos da violência, que não pensam no bem da população, que são maus mesmo. Os do NÃO destilam uma arrogância patética, como se só eles estivessem vendo a “grande conspiração” por trás do referendo. Particularmente, não creio que os defensores do NÃO estão querendo um país violento e mais armado, apenas querem poder se defender. Certo ou errado, é o que acreditam. Tampouco os do SIM acreditam que, promulgada a lei do desarmamento, no dia seguinte viveremos no “País das Maravilhas”, na Utopia de Tomas Morus. Sabem que esta apenas é mais uma medida contra a violência e pela paz. Mais um paliativo contra tudo o que vem acontecendo.

Sinto a necessidade de uma discussão menos apaixonada e menos plástica (pelo amor de Deus, acabem com este marketing eleitoral, já não está sendo suficiente tudo o que está ocorrendo!). Não é com extremistas bem articulados e nem com artistas bonzinhos que chegaremos a uma conclusão, é com um debate sério, dentro da própria sociedade O povo, pela primeira vez, tem chance de decidir algo por si mesmo e está se deixando levar por duas vertentes altamente manipuladoras. Ambos os lados estão apelando demais para o lugar comum sem apresentar argumentos com o mínimo de consistência. Se existisse alguma “resposta certa”, não haveria o referendo. O tema é muito polêmico, merecia um pouco mais de atenção e cuidado para ser discutido. Não é conversinha de boteco, é uma oportunidade singular de posicionamento para nós.

Agora, uma coisa é clara: a democracia brasileira só amadurecerá com o povo tendo oportunidade de escolha. Livre escolha. Vai errar muito, mas uma hora acerta... Nossa democracia ainda é adolescente, vocês sabem como é adolescente, né?

 



Escrito por André Albertini às 21h49
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Fazendo rir e chorar

Poucas coisas mexem tanto com tantas pessoas como o futebol. Uma paixão inexplicável e ardente que toma conta de gente de todas as raças, credos e idades. É também uma aula de inclusão social e diplomática. Não precisa de dinheiro para jogar bola, na verdade nem precisa de bola... Qualquer coisa que puder ser chutada e acertada em um alvo que lembre 2 traves(latas velhas, chinelos, pedras, pedaços de pau, etc..) já é suficiente. A diplomacia entre no fato que a FIFA é o órgão internacional com maior número de países inscritos, todo mundo joga futebol, ou melhor, todo o Mundo joga futebol. Com tudo isto posto, duas histórias recentes me chamaram a atenção para as reações das pessoas em relação ao “nobre esporte bretão”.

A exata uma semana aconteceu um dos fatos que mais me deixou feliz nos últimos tempos, a classificação de Angola para a Copa do Mundo. Um país que sofreu horrores durante toda sua História enfim pode sonhar. Mesmo com o esfriamento da Guerra Civil que tomou o país logo após a independência de Portugal, as marcas não acabaram. As minas colocadas por toda a parte ainda vitimam centenas, ou até milhares, de pessoas. Angola é um dos países no Mundo onde existe mais mutilados, a maioria nos membros inferiores. E é antagonicamente fascinante como um esporte jogado preponderantemente com as pernas leva, enfim, uma alegria ao povo das pernas mutiladas. O futebol leva sonho e esperança a mais um povo sofrido e ferido. Viva Angola! Torcerei muito pelos “Palancas Negras” em 2006.

Contrastando com isso, no caso da “Máfia do Apito”, vi como o dinheiro, a ambição, a corrupção, a soberba e as instituições sujas acabam com a alegria do futebol. A estúpida decisão do STJD, mais especificamente de seu arrogante e presunçoso presidente (agora licenciado, quanta coincidência...) Luiz Zveiter, de anular todos os 11 jogos apitados pelo safado do Edílson Pereira de Carvalho começou a surtir efeito. O fim do clássico entre Santos e Corinthians, na minha opinião, coincidiu com o fim do Brasileirão 2005. Eram justas as duas partes em campo. O Santos vencera o primeiro jogo onde o próprio Edílson admitiu tentar prejudica-lo.  O Corinthians entrou em campo e fez sua parte, não tinha culpa nenhuma. Mas a arbitrariedade do STJD revoltou os santistas que fizeram um espetáculo triste, invadindo o campo, partindo para a agressão. Deveriam ter protestado fora de campo. Nenhum dos times tem culpa por tudo o que está ocorrendo. Esforçaram-se, investiram dinheiro, tempo, esforço. O Corinthians, por exemplo, em que se pese a origem obscura do dinheiro investiu milhões para ser campeão, e provavelmente será, e não precisaria de nada do que está ocorrendo (por mais que eu queira mais que eles se danem...). Por míseros 10 mil reais por jogo, um juiz acabou com todos os méritos de um título de campeão nacional do país do futebol para qualquer time que venha a conquista-lo. O maior derrotado: o torcedor, como sempre. Mais uma vez vê algo que acredita ir por água abaixo. Mexeram com a ilusão, a esperança e o sonho de milhões de brasileiros.  É a ganância levando embora o sonho e esperança de mais um povo sofrido e ferido. Viva o futebol! Torcerei muito pelo afastamento de certas coisas que tanto te estragaram em sua linda História...

 

p.s. Este texto foi escrito no sábado a tarde. Ainda não tinham acontecido as 3 morte bestas que vimos nestes 2 últimos dias. Esse campeonato não vai terminar bem, infelizmente... Depois, não adianta chorar. Está mais do que na hora da “imprensa de entretenimento” que cerca o futebol, os jogadores, técnicos e dirigentes falastrões medirem melhor o que dizem. É como se estivéssemos num enorme armazém cheio de feno e regado com gasolina. Qualquer faísca pode causar grandes danos...

Escrito por André Albertini às 21h24
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Recomeçando

Pronto. Já não bastasse eu ter criado um blog, agora crio outro. O relatos de um indignado veio a falecer. Na verdade eu decidi dar um pipoco no meu da testa dela. O título me prendia demais, limitava várias coisas que eu queria falar. Agora não, falarei de tudo o que me interessa, sem preconceitos e intelectualismos. De futebol a política, de música a filosofia e comportamento, de automobilismo a religião; enfim, vou dar pitaco em tud, sem dó. Tomara que vocês gostem, eu, com certeza, continuarei me divertindo!

Escrito por André Albertini às 20h44
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